20070705

Será uma necessidade acreditar que tem um vazio, um vácuo ou até mesmo um preenchimento imperceptível de alguma coisa, qualquer coisa entre todas as outras?
Achar conforto no que nos é abstratro, ou o porque de termos que saturar-nos de algo além do real para daí então as coisas - do jeito que são - terem significância. Não basta serem só elas mesmas. Ao reparar em todo o encanto que eu mesma dou pra cada uma dessas coisas eu fico a pensar se isso não é exatamente o que me falta, como se eu acreditesse que aquilo me traz tais sensações é só pra suprir a falta delas. Como a gente se remedeia o tempo inteiro, porque achamos muitas vezes estar doente da doença do mundo...
Mas é só essas coisas tornarem impalpáveis que achamos que todas as sensações também se foram. Dos dias que eu acordo com uma euforia incontrolável de sorrir e dividir tudo com alguém e decidi sorrir pra mim mesma, e depositar essas sensações em mim, eu não vou embora se eu me policiar, eu não vou fugir de mim... entre o eu de verdade e o eu fuga estará o eu "sensações adicionais" e eu nunca me abandonarei por completo. Estarei no meu silêncio...
E é fato, quando eu tento calar-me, quando tento ficar queitinha sem nenhum ruído além, meu coração ainda bate, eu ainda respiro, o organismo ainda trabalha e o sangue ainda corre e a saudade ainda arde...
As lacunas que já se instalaram permanecem, dia desses sou só abismo. Expressando com ecos até que alguém me caia.