20071204

Que enrascada todas essas teorias que eu construi e não suporto viver fielmente. Que coisa louca de amor manso e de vontades crescentes, que insano isso não se unir ao menos por um dia pra sentir na pele uma vez mais tudo aquilo que já foi, não é mais. E eu me lembro como era ser entregue, a dor, a repulsa, a falta de amor próprio, amar demais. A coisa doída, a falta de palavras, o soluço, o olhar desesperado pela ausência.
O que veio depois, a grande paixão impossível, a paz da mais sincera companhia, o que não basta, o que não arde demais.
O egoísmo em dizer que não é suficiente quando eu sei que jamais preencheria a lacuna caso você me atacasse pela janela. O não querer, querendo tanto demais você por perto pra dizer sobre como está o vento lá fora se a bebida está forte ou fraca demais. A temperatura da sua respiração, o hálito, a contradição, o ciclo vicioso e a cagorra sentimetal instalados na minha mente, no meu coração, nos meus atos, em tudo que me cabe!
Você mudou tantatanta coisa e eu quero mesmo saber se eu terei que abrir mão de certas coisas ou o que virá será todo mais complexo e completo que isso. Disse hoje mesmo a ele que sentia saudades, que fazia falta gostar e cuidar e saber que o outro faz isso também, e que não há medos além daqueles que vem com o sentimento de posse.
Ele disse coisas, coisas confusas e ele tem uma namorada agora.
Não quero subestimar nada, nem ninguém mas o que me pertence é algo que eu nunca tive, e é bonito demais. Não adiantaria explicar, eu também não entendo, é um emaranhado de coisas de texturas diferentes que se modificam dia-a-dia e me invadem por completo, me animam, me desanimam, são passados que eu tento embelezar, mas o que existiu na verdade não é o que foi contado mais tarde, ou sentido ao lembrar-me de tal coisa. O que existiu foi apenas ali.
Do segundo em que não via mais seu olhar nós não existiámos mais. O momento, nem o sentimento... tudo é a hora presente. O resto é ficção.
Não adianta calendários, relógios, pensamento futuro ou lembrança. Quero estar no momento presente, amando no presente, amar sempre mas sentir raiva de vez enquando, como pode? E como se vive o passado? Como se vive o futuro?
De que vale as velhas cartas se tudo não é mais, de que vale os projetos se ele ainda não me veio...
Te amo e é exatamente agora!